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Manifesto Futurista, do Italiano Filippo Tammaso Marinetti

20 maio

A seguir o Manifesto Futurista, do italiano Filippo Tommasio Marinetti, publicado no jornal parisiense Le Figaro em 1909.

1. Pretendemos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e do destemor.

2. A coragem, a audácia e a revolta serão os elementos essenciais da nossa poesia.

3. Até agora, a literatura exaltou a imobilidade, o êxtase e o sono pensativos. Nós tencionamos exaltar a ação agressiva, uma insônia febril, o passo do atleta, o salto moral, o soco e a bofetada.

4. Nós afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma nova beleza da velocidade. Um carro de corrida cujo capô é adornado de grandes tubos, qual serpentes de hálito explosivo – um automóvel que ruge e parece cavalgar uma metralha é mais belo que a Vitória de Samotrácia.

5. Queremos cantar o homem ao volante, que percorre a Terra com a lança de seu espírito, traçando o círculo de sua órbita.

6. O poeta deve consumir-se de ardor, esplendor e generosidade; dilatar o fervor entusiástico dos elementos primordiais.

7. Não há beleza senão na luta. Nenhum trabalho sem caráter agressivo pode ser uma obra prima. A poesia deve ser concebida como um ataque violento ás forças desconhecidas, deve reduzi-las e prostá-las aos pés do homem.

8. Nós estamos no último promontório dos séculos! […] Por que olhar para trás se o que queremos é arrombar as portas misteriosas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Já estamos vivendo no absoluto, porque criamos a velocidade eterna e onipresente.

9. Glorificaremos a guerra – a única higiene do mundo -, o militarismo,  o patriotismo, o gesto destrutivo dos portadores da liberdade, as belas idéias pelas quais vale a pena morrer e o desprezo pela mulher.

10. Destruiremos os museus, as bibliotecas, as academias de toda sorte, cambateremos o moralismo, o feminismo, toda covardia oportunista ou utilitária.

11. Nós cantaremos as grandes multidões estusiasmadas pelo trabalho, pelo prazer e pela insurreição; cantaremos as ondas multicolores e polifônicas da revolução das capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor noturno dos arsenais e estaleiros iluminados por luas elétricas; nuvens ambiciosas pelas linhas arqueadas de sua fumaça; ponte que atravessam rios qual ginastas gigantes, reverberando o sol com o fulgor das navalhas; vapores aventureiros que farejam o horizonte; locomotivas de peito ancho, cujas rodas lavram os trilhos como os cascos de enormes cavalos de aço arreados com tubulações; e o  vôo elegante dos aviões cujas hélices rascam aos ventos qual estandartes e que parecem levantar vivas qual uma multidão entusiasmada.

(In: Richard Humphreys. Futurismo. São Paulo: Cosac & Naify, 2001. p11.)

 
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Publicado por em 20/05/2010 em Literatura, Vanguardas

 

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